Ontem eu morri mais uma vez quando você cortou a luz da janela com seus ombros todos e eu me virei e vi um vazio onde antes um braço. Você se sentou sem palavra nem reconhecimento de quem eu era e pôs um calcanhar atrás do outro, como fazem as moças, para me dizer que chega, Eulália, a guerra só me deu a falta, e agora que já tenho um pouco de tudo na vida posso me casar com você. Então eu olhei para aquele pedaço de nada que deveria ser sua mão e só vi um vazio tão grande que eu quase pude desenhar a falta que eu sentia de uma carne tampando a parede caiada daquela casa velha. Não pude deixar de pensar aonde iria o anel se nos casássemos e lhe disse para deixar a guerra do lado de fora, com a sujeira do seu sapato no tapete; Que agora rugas se espalhavam pelo meu rosto e meu corpo fazia sombra nele mesmo pelas sobras de pele flácida; Que eu seria o rio seguro depois de uma vida a toda de turbulência, de explosão e isso eu não queria; Que eu só me casaria se eu fosse o seu mar revolto, sua emoção a toda assim como fora sua guerra.
A faca foi você quem pegou na gaveta - tantos anos aquela faca ali - e me pôs na mão deslumbrada previamente pela siceridade do ato.
Um braço ainda quente enrolado em jornal assistiu ao 'Sim, eu aceito' que eu lhe disse sorridente enquanto seu rosto se misturava cada vez mais ao branco das paredes caiadas.
17 de março de 2009
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1 Macumba(s)!!!!:
Caraca, gostei. Áspero, arranhou.
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