Não tenho nada mais o que escrever.
Estou num ar com consistência de manteiga e me divido entre milhares de preocupações que não são comigo.
Tenho vontade de voltar todos os dias àquele mesmo em que eu li contos russos tristemente redundantes da manhã à madrugada e fui feliz porque tudo daquilo era emprestado.
Eu era o pobre mujique mas o sofá macio e o abajur de sempre me salvavam de qualquer drama real.
E os dramas eram tão dramáticos e tão bem escritos que eu me envolvia sem medo de parecer ridícula, sentindo o suficiente para me sentir viva sem ter que viver nada daquilo.
Hoje as ficções me parecem ridículas, tão ridículas porque verossímeis demais para o drama real que é experimentado no viver.
Não há a dramaticidade articulada dos livros, dos romances históricos, dos contos de crítica social, das crônicas pessoais. Há um drama que se forma pela incoerência dos atos e dos fatos. Dos dias que morrem sem graça, dos diálogos que acabam sem fôlego e do silêncio que segue por inércia.
O drama da vida é o drama do acaso, dos atos falhos e controversos; Dos telefonemas abruptos e constrangedores, sem assunto nem comodidade; Das notícias que chegam como um tiro no escuro e não nos deixam ver o estrago.
*Também a Eron, Pedro e Pedro.
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29 de setembro de 2009
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1 Macumba(s)!!!!:
A ficção serve para simular ou dissimular absurdos da vida, creio.
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