17 de março de 2010

Da Perdida Selvagem

Era só e vivia rodeada. O coração tão só que nem se sentia bater por não ter alteridade. Vivia para os prazeres, as delícias dos dias comuns, as danças, a vaidade, a gula e os outros pecados que, por não terem comparação, não eram pecados.
Um dia a mulher só conheceu um homem solitário.
Ambos na constância de suas vidas.
O homem não fazia diferença na solidão a mulher.
Até que ele começou a não ser mais solitário e mostrou que tinha, e eram possíveis, mais facetas. O homem se alternou e mostrou à mulher a ambiguidade do ser, que pode e não.
A mulher que era simples na sua solidão tornou-se confusa e passou a seguir os passos do homem. Apaixonou-se por ele e fez dele sua única convivência além de si. Como não estava acostumada, fez dele, aos poucos, sua única solidão.
O homem não suportou os olhos famintos a sós com a mulher, não aguentou ser devorado pela obrigação da escolha e abandonou os olhos e seus vazios.
A mulher, então, ficou tão só que sem solidão.

2 Macumba(s)!!!!:

M.B. disse...

Não é só a mulher... todos somos sós!!!

Anônimo disse...

Que pena que não escreve mais.