31 de agosto de 2010

Fim

Quase não acredito. A força dos fatos me parece maior do que tudo.
Você representa uma larga fase da minha vida. PEquanto meus olhos se enchem de lágrimas, penso que jamais vou esquecê-lo.
A história dos objetos e dos lugares é a história dos homens. A nossa história fica marcada da mesma maneira.
O indivíduo se reflete nos rincões da história e já que eu não posso lhe falar mais diretamente, essa é a única homenagem que posso fazer.
Com a mente cheia de álcool, alucinada em não pensar em você, ainda penso, e penso que as suas digitais estão gravadas no meu corpo, na minha casa, que o solado dos seus sapatos estão impressos nos lugares aonde andamos. Não há como esquecer.
Eu imagino você dormindo, num ressonar intacto, e me ponho a seu lado, como tantas vezes foi.
A única homenagem a esse amor é a palavra, que, entorpecida, como foi de amor, agora é entorpecida de dor.
Queria eu ser Alcoforado, uma freira portuguesa enclausurada, queria eu ter uma desculpa maior, queria eu ter as instituições contra mim, uma guerra ou um obstáculo físico, uma fronteira, para que esse amor terminasse.
Queria eu ter palavras pra lhe agradecer pelas palavras de Vinícius de Moraes terem sido mais do que palavras pra mim, eu, que nem gostava da poesia dele.
Queria eu ter o dom de transformar literatura em arte e lhe fazer uma homenagem tal que fizesse o nosso amor não perecer.

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